“Devia ter honras de Estado”
“Jorge Silva Melo — um grande amigo, um Pai e também o Pai do Teatro Português Moderno e Contemporâneo” nas palavras do encenador Manuel Wiborg, actor da peça António, Um Rapaz de Lisboa. “Foi provavelmente o maior encenador português de todos os tempos e um dos maiores intelectuais portugueses de todos os tempos. Um imenso ser humano. O mestre de todos nós. Uma dor profunda, a sua perda. Devia ter honras de Estado”, escreveu, num depoimento para o PÚBLICO.
“Fartei-me de lhe dizer que não me morresse antes de mim”
O gestor cultural Miguel Lobo Antunes conheceu Jorge Silva Melo no sexto ano do liceu. “Ficámos amigos desde então. O meu melhor amigo. Quando me convidaram para o Centro Cultural de Belém (CCB), pedi-lhe: ‘Jorge, vens comigo?’ Ele disse logo que sim. Até isso fizemos, trabalhámos juntos durante cinco anos”, recorda, num depoimento enviado ao PÚBLICO. “Mais velhos, soltou-se-me a ternura. Dizia-lhe queridezas, tocava-o quando podia. Pouco falávamos de nós. Não era preciso. Fartei-me de lhe dizer que não me morresse antes de mim. Era mais velho do que ele oito meses. Tinha prioridade. Não me ligou nenhuma. Agora choro, pois claro. Sei lá por quanto tempo. Vou procurar as tuas cartas, os teus postais. Meu querido.”
“O Jorge deu-me muitos princípios por onde continuar”
“O Jorge foi, para mim, a oferta e a abertura de portas. Foi A Capital, foi ‘sem deus nem chefe’, a ideia de equipa e a tentativa”, escreve o dramaturgo e tradutor de teatro José Maria Vieira Mendes numa declaração ao PÚBLICO. “E foi livros e leituras e conversas sobre livros e viagens e encontros. Foi a copulativa, a acumulação, o armazenamento. Foi a possibilidade de errar, de não estar obcecado com a perfeição e a capacidade de agregar, de juntar gente e de fazer andar e acontecer. Foi empurrar-me para a tradução, a edição, a revisão, a escrita, os ensaios, o jornalismo, a…


