Pelo menos 100 mortos em Gaza na véspera de Natal: Nem mesmo o local onde se acredita que Jesus nasceu na Palestina é poupado pelo exército israelita

Emmanuel Paul
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Emmanuel Paul
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Emmanuel Paul is an experienced journalist and accomplished storyteller with a longstanding commitment to truth, community, and impact. He is the founder of Caribbean Television Network...
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A Palestinian man carries a child casualty following Israeli strikes on houses in Rafah in the southern Gaza Strip. REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Enquanto os palestinianos deviam celebrar o nascimento de Jesus, a pessoa mais conhecida do mundo e que se crê ter nascido na Palestina, o exército israelita matou mais de 100 pessoas em Gaza na véspera de Natal, de acordo com as autoridades sanitárias palestinianas. Foi o dia mais mortífero desde que Israel começou a bombardear Gaza, há 11 semanas, depois de o Hamas ter atacado, matando mais de 1200 pessoas em Israel.

Mais de 70% dos mortos encontravam-se num campo de refugiados, em Maghazi, no centro da faixa sitiada, uma das zonas que deveria ser mais segura, segundo o comentário do exército israelita.

“Tenho 60 pessoas em casa, pessoas que chegaram à minha casa acreditando que a zona central de Gaza era segura. Agora estamos à procura de um sítio para onde ir”, disse um residente dos campos de refugiados, segundo a Reuters.

Numa fotografia que circula nas redes sociais, um homem foi visto a abraçar o seu filho morto. “As paredes e as cortinas caíram sobre nós”, disse ele. “Estendi a mão para o meu filho de quatro anos, mas tudo o que encontrei foram pedras”, acrescentou, segundo a Reuters.

De acordo com o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf Al-Qidra, muitas das pessoas mortas em Maghazi eram crianças e mulheres.

As cerimónias programadas nas igrejas palestinianas de Belém, território ocupado por Israel onde nasceu Jesus, foram canceladas.

“Se Cristo nascesse hoje”, disse o chefe da Igreja Luterana, Reverendo Munther Isaac, “nasceria sob os escombros e os bombardeamentos israelitas. Esta é uma mensagem poderosa que enviamos ao mundo que celebra as festas”, acrescentou o reverendo, lembrando que Cristo não nasceu no país dos conquistadores, mas em Belém, na Palestina, onde milhares de pessoas são mortas pelo exército israelita.

“Belém está triste e destroçada. Estamos todos a sofrer com o que está a acontecer em Gaza, sentindo-nos impotentes e esmagados pela nossa incapacidade de oferecer alguma coisa”, disse o reverendo, cuja declaração foi noticiada pela ALJAZEERA.

Numa declaração divulgada no X, antigo Twitter, o Papa Francisco voltou a denunciar a crueldade de Israel em Gaza. “Esta noite, os nossos corações estão em Belém, onde o Príncipe da Paz é mais uma vez rejeitado pela lógica fútil da guerra, pelo choque de armas que ainda hoje o impede de encontrar espaço no mundo. #Natal”, escreveu o Papa, que apelou também à libertação dos israelitas mantidos como reféns pelos militantes do Hamas.

Em 22 de dezembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou a resolução 2720, que apela, entre outros pontos, à entrega imediata, segura e sem obstáculos de assistência humanitária em grande escala diretamente à população civil palestiniana em toda a Faixa de Gaza.

A resolução não exigiu um cessar-fogo permanente em Gaza. Os Estados Unidos vetaram várias vezes resoluções que continham esse tipo de linguagem, argumentando que um cessar-fogo daria tempo ao Hamas para preparar outro ataque contra Israel.

Entretanto, o exército israelita continua a bombardear Gaza.

De acordo com as autoridades sanitárias palestinianas, mais de 20 400 palestinianos foram mortos sob o olhar cúmplice dos países mais poderosos do mundo, que decidem fazer política com vidas palestinianas inocentes.

Até à data, Israel tem rejeitado os apelos a um cessar-fogo até destruir o Hamas, classificado como uma organização terrorista pelo Ocidente.

O ataque do Hamas a Israel, a 7 de outubro, custou a vida a mais de 1200 israelitas.

Mas “o Hamas não criou o conflito”, segundo o representante da Palestina nas Nações Unidas. “O conflito criou o Hamas”, acrescentou num discurso proferido na ONU há várias semanas.

O conflito entre Israel e a Palestina é antigo. Em 1967, Israel decidiu ocupar várias partes da Palestina, incluindo a Cisjordânia, que incluía Belém, onde se crê que Jesus nasceu.

Em 2023, as Nações Unidas estimam que mais de 700.000 colonos israelitas vivam nas terras ocupadas pelos palestinianos, que incluem a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Este número representa mais de 10% da população total de Israel.

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Emmanuel Paul
Emmanuel Paul is an experienced journalist and accomplished storyteller with a longstanding commitment to truth, community, and impact. He is the founder of Caribbean Television Network (CTN), a mission-driven media platform dedicated to delivering high-quality, in-depth journalism focused on Haitian and Caribbean immigrant communities in the United States and around the world. Before relocating to the United States, Emmanuel built a distinguished career in Haiti, where he worked for several prominent media outlets and became known for his insightful reporting and unwavering dedication to public service journalism. Emmanuel holds a diverse academic background with studies in Sociology, Anthropology, Economics, and Accounting, equipping him with a multidimensional perspective that informs his journalistic approach and deepens his understanding of the social and economic forces affecting diaspora communities. Beyond his work in media, Emmanuel is the founder of FighterMindset, a 501(c)(3) nonprofit organization dedicated to supporting cancer survivors. As a survivor himself, Emmanuel channels his personal journey into advocacy and empowerment, offering resources and hope to others facing similar battles. His career is a testament to resilience, purpose, and the transformative power of storytelling.
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