O ex-governador do Banco da República do Haiti que desde Fevereiro último fez o processo do Presidente eleito do Acordo de Montana desenhou um quadro sombrio da situação geral do país durante a cerimónia da 3ª graduação na Universidade Pública do Nordeste em Fort-Liberté (UPNEF) no domingo 19 de Junho de 2022.
No seu discurso, o economista denunciou “a balcanização do território com o rapto, a violeta, e os assassínios em série como as suas principais características”.
Segundo o presidente eleito do acordo de Montana, “estamos numa situação de total desumanização”, lamentando que este país, tradicionalmente uma terra de liberdade, tenha perdido o seu rumo.
Os haitianos continuam à procura de um caminho, de uma vida. Após três anos consecutivos de declínio económico, o país está de joelhos no meio de uma crise feita de falta de gasolina, uma taxa de câmbio de mais de 120 gourdes para o dólar americano, elevados custos de vida, as famílias haitianas estão a lutar para satisfazer as suas necessidades e sobreviver”, lamenta o autor do livro intitulado: Haiti, uma economia de violência.
A capital do país está completamente sitiada. Ontem foi Martissant, hoje são as comunas de Tabarre e Croix-des-Bouquets que são objecto de actos criminosos por bandidos que raptam e assassinam cidadãos pacíficos em total paz de espírito, denuncia o economista Fritz Alphonse Jean.
O antigo chefe do banco central diz lamentar ver que os compatriotas são obrigados a deixar o país para outros horizontes em busca de uma vida melhor. Tornámo-nos os párias da região”, diz ele.
Por todo o lado, os compatriotas estão a ser expulsos. Os corpos de haitianos encontram-se nas costas da Florida e das Bahamas. A oportunidade para o líder político saudar a memória de 11 dos nossos irmãos e irmãs que foram enterrados em Porto Rico depois de se afogarem no alto mar.
Aquele que é chamado a liderar o país no caso de um acordo com as outras forças políticas disse que as instituições republicanas estão falidas, o sistema judicial é feito refém e os bandos governam o país, como no caso do tribunal, que tem sido controlado há cerca de duas semanas por homens armados.
Estamos num estado de excepção”, diz ele, “onde a lei, não aplicada, está suspensa algures”.
O papel essencial dos jovens na mudança do país
Depois de rever as várias características e manifestações da crise multidimensional, o antigo chefe do BRH vestiu o seu fato de padrinho dos diplomados para os encorajar ao compromisso político de salvar o barco nacional.
Vós, os jovens, deveis formar-vos para vos tornardes bons profissionais capazes de assegurar o bem-estar das vossas famílias, mas também, e sobretudo, deveis ser cidadãos envolvidos na transformação deste Estado-nação, pregou ele.
Tendes de ir e recuperar a nossa dignidade perdida a fim de reconstruir um Haiti próspero para todos os seus filhos e filhas”, declarou Fritz Jaan perante os olhos atentos dos seus afilhados.
Apoiante da transição de ruptura querida pelos signatários do acordo de Montana, o homem de Ste Suzanne, no departamento do Nordeste, apela a uma mudança na relação do Estado com os seus cidadãos, argumentando que o Estado actual não deixa de asfixiar qualquer dinâmica de crescimento das regiões capazes de conduzir a uma verdadeira descentralização e transformação sonhada por todos.
Fritz Alphonse Jean, que acredita na riqueza do país, apelou ao envolvimento dos jovens para descentralizar o país e lutar contra a história da República de Port-au-Prince.
É o único país do mundo onde os ignorantes lideram aqueles que estão melhor preparados para liderar, disse ele. Precisamos de uma mudança de paradigma”, acredita o economista.
Durante uma boa parte do seu discurso, o presidente eleito do Acordo de Montana exortou os jovens a serem os arquitectos do novo Haiti.
Devem ser os ourives da desconstrução do estado actual e os ourives da construção do novo Haiti””.


