Pernambués é o bairro com a maior população negra de Salvador. Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, de um total de 64.983 moradores, 53.580 se auto-declaram pretas ou pardas.
Além disso, é um dos bairros mais populosos da capital baiana. No entanto, costuma aparecer para o restante do país somente para repercutir casos negativos. E mesmo com todo o cenário externo desfavorável, moradores encontraram maneiras de sobressair desse estigma. Eles se apegam, por exemplo, ao Terno de Reis – grupo de cultura popular que apresenta festividade e alegria em Salvador.
De acordo com o professor Francisco Cruz do Nascimento, especialista em Estado e Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais, o Terno de Reis é um grupo de cultura popular que se manifesta através da dança, música e teatro em cortejo de rua. Todos os Ternos de Reis, Ranchos e Bailes Pastoris são Folguedos da Cultura Popular sacro e profana.
O professor esclarece que todos os grupos têm por objetivo remontar a ida dos três Reis Magos, Gaspar, Melchior e Baltazar, à manjedoura onde nasceu o Menino Jesus e cada terno escolhe uma figura representativa. No dia de 6 de janeiro é celebrado anualmente o dia de Reis e no dia anterior, 5 pela noite, tradicionalmente, começam as homenagens.
“O Terno significa para mim a cultura da minha terra, uma tradição que não pode acabar e cada ano que passa deixa mais viva essa herança cultural, esse legado do nosso povo trazido pelos europeus”. Essa fala é da professora, Luisa Maria dos Santos, de 66 anos, que participa do Terno de Reis Rosa Menina desde 1976, exercendo a primeira função como cigana de pandeiro. Em 1977 foi contemplada como Porta Estandarte do Terno, no qual ficou até 1982.
“Depois tive que parar por motivos pessoais, mas não suportei ficar distante dessa tradição e retornei em 1986 como cigana de…



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