A expansão marítimo-comercial iniciada pelos portugueses no século XV deu origem ao complexo e trágico processo de invasão territorial das terras localizadas a oeste do continente europeu, batizadas de “novo mundo”, porque haviam sido “descobertas”.
No entanto, nesse vasto território que possui 42 milhões de Km², já viviam povos que o habitavam há cerca de 10 mil anos. Na época das primeiras incursões europeias, estima-se que a população nativa do atual continente americano era de no mínimo 50 milhões de pessoas, que falavam algo em torno de 1.200 idiomas.
Em busca de riquezas, especialmente ouro e prata, os exploradores europeus iniciaram um longo processo de conquista territorial e dominação cultural dos povos originários. Esse mecanismo complexo de invasão das posses e das mentes resultou em um dos mais dramáticos processos de extermínio de grupos sociais já registrados na história. No Brasil, estima-se que à época da chegada de Pedro Álvares Cabral viviam cerca de 4 milhões de indígenas. Hoje esse número está em torno de 900 mil habitantes.
Em nosso país, aprendemos nos bancos escolares que esse processo de dominação começou pela oferta de espelhos e outras bugigangas em troca do pau-brasil e atravessou séculos. Seus terríveis desdobramentos chegam até os dias atuais, através da invasão de áreas indígenas por verdadeiras organizações criminosas para exploração de seus recursos naturais, especialmente madeira e minérios na região amazônica.
Mas como toda dominação de uns sobre outros, os que impõem a sua verdade precisam de uma narrativa que a justifique e assegure legitimidade social. E uma das grandes mentiras construídas pelos historiadores conservadores, a modo de justificar a barbárie instituída em nome da civilização, foi de que os índios brasileiros não resistiram à dominação.
O sociólogo Florestan Fernandes, em História Geral da Civilização Brasileira, põe por terra esse…


